
As notícias internacionais de hoje dão conta de dois dos diversos países que sofrem com a total ou parcial negligência da comunidade internacional: o Haiti e a Somália. No Haiti (cuja missão de paz da ONU é liderada pelo Brasil, que teve um comandante morto por suicídio), um levantamento independente revelou que em dois anos 32 mil mulheres e crianças foram estupradas na capital daquele país, Porto Príncipe. A vítima mais nova, segundo os dados chocantes, tinha seis anos de idade. Na Somália, as notícias caminham em sentido contrário, embora isso não torne a situação muito menos tensa: o governo interino e a União das Cortes Islâmicas (aliança islâmica rival que controla a capital, Mogadício, e a maior parte do sul do país) concordaram em formar um exército nacional. Estes filmes são velhas reprises das sessões da tarde na TV. Lembro quando comecei a colecionar selos em meados dos anos 80 e li sobre a Tchecoslováquia e a Iugoslávia, e de como fiquei encantado por aqueles países (acima, foto da Iugoslávia). A partir do início dos anos 90, a mesma Iugoslávia vivenciou um conflito que praticamente destruiu um país de arquitetura histórica e belíssima. A comunidade internacional assistiu de longe. Há dois anos, quando eu trabalhava no setor Brasil/Internacional, via dezenas de matérias sobre a destruição do Sudão, com rios de sangue derramados por massacres consecutivos. A comunidade internacional, mais uma vez, só acompanhou, sem tomar medidas eficazes. Afinal, onde não há recursos naturais como petróleo, por exemplo, não vale a pena o investimento bélico, como ocorre no Afeganistão e Iraque, sob a fortuita justificativa do combate ao terror. Estamos a poucos dias de lembrar os cinco anos do 11 de Setembro. É bom refletir sobre isso. Quantas pessoas morreram nos atentados insanos às Torres Gêmeas? Três mil e poucas? Muitas delas estrangeiras, já que Nova Iorque é a cidade mais cosmopolita do mundo. Sim. E quantas pessoas morreram na Iugoslávia, Somália, Haiti, Sudão, Ruanda, Iraque, Líbano e Timor Leste ante a negligência da ONU? Temos muito mais mortos para chorar, pode acreditar.





